Congregação Israelita da Nova Aliança de Itabuna - BA: FESTAS JUDAICAS

FESTAS JUDAICAS

CHAG SUCOT (FESTA DAS CABANAS)

A festa de Sucá: celebração da unidade judaica
E tomareis para vós, no primeiro dia, o fruto da árvore formosa- etrog, palmas de palmeira, ramos de murta e de salgueiro das ribeiras, e vos alegrareis diante do Eterno, vosso Deus, durante sete dias (Levítico, 23:40).
Um dos mandamentos primordiais da festa de Sucá é o referente às Quatro Espécies. Cada uma destas espécies é um componente individual, mas essencial, para o cumprimento de uma única lei da Torá. Diz o Talmud que a falta de qualquer um dos quatro anula o valor do mandamento, impedindo-o de ser cumprido. Há um outro mandamento, nesta festa, de tão extrema importância, que lhe empresta seu próprio nome - é a obrigação de se habitar em cabanas ou moradias temporárias que devem ser construídas como manda a Torá.
Chama-se a estas, em hebraico, Sucá , no plural, Sucá. Comemos e bebemos, estudamos e nos alegramos e, alguns, chegam mesmo a dormir na Sucá durante sete dias.
Há todo um tratado no Talmud concernente ao cumprimento dos dois mandamentos acima: as Quatro Espécies - Arbaat ha-Minim - e a Sucá. Nosso objetivo, neste artigo, não é discutir tais leis e seus desdobramentos; isto transcenderia seu escopo. Tencionamos analisar alguns de seus significados mais profundos, da forma como são descritos pelos Midrashim e ensinamentos de nossos Sábios.
Revela-nos, o Midrash, que as Quatro Espécies representam quatro tipos de judeus. O belo etrog (cidra), tem sabor e aroma; simboliza o judeu que estuda a Torá e pratica uma infinidade de boas ações. A tâmara, fruto do lulav, tem sabor mas não tem aroma, representando, pois, os judeus que se dedicam quase que exclusivamente ao estudo da Torá e que não têm muito tempo nem recursos para praticar atos de caridade e bondade. O hadáss (murta) possui aroma, não sabor; representa os judeus que dedicam toda a sua vida a ajudar os outros, mas desconhecem a Sabedoria e as Leis Divinas. E, por último, o aravá (salgueiro) é destituído de ambos, aroma e sabor. Personifica os judeus que nem se dedicam muito ao estudo da Torá nem tampouco praticam muitos atos de bondade. Assim se manifesta Deus acerca das Quatro Espécies, no Midrash: que todas as quatro se unam, como um único feixe e elemento, completando-se e expiando umas pelas outras".
Um grande sábio de nossa geração aconselha-nos a atentar para as palavras do Midrash. Esta obra mística sobre a Torá não diz que, apesar de Deus amar todos os judeus, todos são iguais, independentemente de seu conhecimento sobre a Lei ou das boas ações que praticam. Vai bem mais longe; diz que um expia pelo outro. A interpretação é que cada uma das Quatro Espécies - assim como cada um dos judeus - tem algo que lhe é exclusivo, que lhe é especial, que não é encontrado em nenhum dos demais. Expiar significa tentar reparar, aperfeiçoar e compensar pelo que falta no outro. E, com efeito, a Torá confirma esta explicação do Midrash, pois a falta de uma sequer das Quatro Espécies impede que se cumpra o mandamento.
Cada um dos Arbaat ha-Minim incorpora uma característica singular ou um modo de conduta específica que todo judeu, nas várias horas de seu dia ou em diferentes momentos de sua vida, deve perseguir. O etrog nos ensina que uma vida ideal é aquela que combina o estudo da Torá com a prática de atos de justiça social que possam aperfeiçoar o mundo em que vivemos. Conhecedores de Sua Vontade, estaremos a caminho da realização de ações sábias e benéficas. Por outro lado, a prática de caridade, a doação de recursos materiais, tempo e espírito, haverão de promover o estudo, a bondade, a justiça e a Santidade no mundo.
Mas nem sempre podemos viver segundo os ideais simbolizados pela bela cidra, o etrog. O lulav nos ensina que há vezes em que é preciso dedicar-nos exclusivamente ao estudo. Para saber agir de acordo com a Vontade Divina, faz-se mister primeiro aprender a Sua Torá. E mais: há certos momentos na vida em que essa dedicação ao estudo do judaísmo não pode ocupar importância secundária; são momentos em que precisamos retirar-nos por completo de nosso dia-a-dia, ainda que por poucas horas semanais, esquecendo-nos de tudo o mais. Sempre haverá tempo de retornar a nossos afazeres diários - só que, já então, com o preparo e a inspiração para efetivamente darmos nossa contribuição a esse mundo conturbado.
O hadáss transmite a lição de que há momentos em que mesmo um sábio em Torá precisa deixar de lado os livros e ajudar aqueles que o cercam. O domínio profundo das Leis Divinas é um bem precioso; no entanto, a construção de um mundo melhor é, em geral, uma missão Divina bem mais urgente. Precisamos, muitas vezes, abrir mão de nosso enriquecimento e satisfação espiritual para correr em auxílio de outrem, ou, como disseram os Sábios, fazer deste mundo verdadeiramente a Morada de Seu Criador. Cabe-nos, a cada um de nós, ter a sabedoria para discernir entre a hora de se comportar como um lulav e a hora de se comportar como um hadáss. Por um lado, o lulav está a nos lembrar que o judaísmo defende a idéia de que o caminho para a destruição é pavimentado de boas intenções . Isto quer dizer que mesmo a benevolência e a generosidade podem ser erroneamente aplicadas e danosas se estiverem em desacordo com a Vontade Divina. Por outro lado, o hadáss faz ecoar a afirmação talmúdica de que aquele que domina a Torá, mas não pratica boas ações, na verdade não possui a Torá. Se o estudo e as ações não puderem estar irmanados, há que se usar de muita prudência e sagacidade para saber se o momento pede estudo ou ação. E o aravá ? O que nos ensina? Humildade - que é o segredo da santidade e da proximidade ao Eterno. Faz-nos recordar que por mais que sejamos, sempre há quem nos supere. Alerta-nos contra a complacência, pois não importa a infinidade de boas ações que tenhamos praticado, sempre há quem as tenha feito em número maior. E, contudo, o mundo ainda se vê inundado em dor e injustiça. Mas, sobretudo, o aravá nos faz sempre recordar que, comparados a Deus, Infinito em sua Grandeza, nada somos, nada possuímos, nada conhecemos.
O mandamento das Quatro Espécies simboliza a unidade judaica, situação em que os judeus, em paz e harmonia entre si, cumprem a missão que lhes foi destinada por Deus. Quando etrog, lulav, hadáss e aravá estão enfeixados juntos, complementam-se uns aos outros. No entanto, continuam distintos em forma, feitio, tamanho, aroma e sabor - pois, afinal, são precisamente essas diferenças que os fazem expiar uns pelos outros, suprindo aquilo de que carece o outro. Contudo, a obrigatoriedade de se habitar na Sucá, o outro grande mandamento desta festividade, é o que melhor expressa o mais alto nível de unidade judaica durante Sucá.
O que nos ensinam as Leis referentes à Sucá ?
As Leis do Judaísmo, que emanam da Vontade e Sabedoria Divinas, são minuciosas e exatas. Ao analisar os objetos sagrados e o correto desempenho dos mandamentos Divinos, o Código da Lei Judaica especifica medidas e limites para o tempo, o espaço e a matéria. Há leis inarredáveis que esmiúçam, em riqueza de pormenores, o início e o término do Shabat, quanto de matzá se deve comer no Seder de Pessach, quais as dimensões mínimas para que batentes de portas requeiram o uso de mezuzot e, por aí vai. De modo similar, o Talmud é muito preciso quanto às especificações e medidas que qualificam - ou desqualificam - uma Sucá: altura mínima e máxima, número de paredes e número máximo de frestas permitidas em suas paredes ou teto. Este é conhecido como Schach e tem que ser feito de material que brota da terra. No entanto, há uma única exceção: não há limites quanto ao comprimento ou largura da Sucá! Sua altura não fica a nosso critério, mas suas dimensões, sim! Podemos construí-la do tamanho que quisermos, enorme, até mesmo das dimensões de um país - ou maior - sem deixar de ser uma Sucá casher. Há uma leve indicação, na Torá, de que Deus estimula a construção de uma cabana que possa congregar o maior número possível de judeus.
No Levítico (23:42), lê-se: Em cabanas - Sucá - habitareis por sete dias; todos os filhos de Israel deverão habitar em cabanas. No versículo, a palavra Sucá é pronunciada no plural, apesar da ausência da letra vav; está de fato escrito Sucat. Pode-se interpretá-lo como a dizer que todos os filhos de Israel deverão habitar na Sucá. E o Talmud explica: a Torá está a nos indicar que o povo judeu todo pode e deve habitar em uma única e mesma Sucá.
Sucá, da forma como é explicitado em seus dois mandamentos primordiais, é a festa da unidade judaica. Todas as nossas festas são chamadas de ocasiões de júbilo, em hebraico, moadim le-simchá. Mas quando o Talmud apenas menciona Chag, festividade ou dia santificado, sem identificar qual deles, está-se referindo a Sucá. E este é o único dia santificado que, em nossas orações, é denominado zman simchatenu - época de nossa alegria.
O júbilo verdadeiro para o povo judeu somente ocorre se houver união e amor. As Quatro Espécies e a Sucá nos fazem recordar que somos todos filhos de um só povo, independentemente de nossas diferenças, sejam estas religiosas, tradicionais, culturais, sociais ou econômicas. O Talmud nos ensina que todos os judeus são espiritualmente entrelaçados; a Cabalá nos compara a órgãos formadores de um só corpo. E é por essa razão que cada um de nós é responsável pelo bem-estar - material e espiritual - de cada um dos judeus, sem exceção.
A Torá nos ordena: e rejubilarás em tua festividade - tu, teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva. A Sucá, especialmente por ser um símbolo da união judaica, deve estar aberta a todos. Maimônides assim escreveu: Aquele que come e bebe deve também alimentar o estrangeiro, o órfão, a viúva, bem como todos os outros míseros desafortunados. Aquele que se tranca atrás de seus portões e se regala e bebe com a mulher e os filhos, sem, no entanto, alimentar os pobres e os amargurados - não está desfrutando a alegria de uma boa ação, mas a alegria de seu estômago.
Este espírito de amor e união que se deve perseguir tem o sagrado propósito de unir os judeus. É, também, caminho da Santidade e da bênção para o mundo inteiro. A unicidade do povo judeu - único Povo sobre a Terra a legar à humanidade a realidade de Um Deus Único - é especialmente necessária pelo fato de refletir a Unicidade do Criador. O Talmud e a Cabalá ensinam que nos unimos a Deus quando o imitamos adequadamente. O Eterno, Deus de Israel, é conhecido sobretudo por Sua Unicidade e Unidade, como proclamamos ao recitar o Shemá: Escuta, ó Israel, o Eterno é teu Deus, o Eterno é Um.
Quando nós, judeus, nos unimos, assim como juntas estão as Quatro Espécies, e nos sentamos sob o teto abençoado da Sucá, somos merecedores de que Deus habite em nosso meio. Nas palavras do Zohar: Quando um homem senta-se sob a sombra da fé da Sucá, a Shechiná - Presença Divina - estende suas asas sobre ele, das Alturas do Firmamento. E esta é, pois, uma das principais razões para a festa de Sucá ser considerada zman simchatenu. Pois, como nas palavras do Rabi Shneur Zalman de Liadi, o Baal HaTanya, Sucá é chamado de época de nossa alegria - a alegria Divina com Israel e a alegria de Israel com Deus. Ambas se fundem em uma harmoniosa celebração dos Céus e da Terra.
Bibliografia
· Jacobson, Simon, 60 Days - A Spiritual Guide to the High Holidays
· Tauber, Yanki, It Takes all kinds, chabad.org
· Tauber, Yanki, The Big Sukkah, chabad.org
· Unity in Three Dimensions - chabad.org (based on the teachings of the Lubavitcher Rebbe)



SHAVUOT, ALÉM DO TEMPO E ESPAÇO
 
Quando se utiliza o termo "Povo", temos em mente um grupo de seres humanos unidos por alguns elementos em comum. Os integrantes desse povo partilham valores, crenças e hábitos. Pode-se dizer que um grupo de pessoas faz parte de uma mesma nação quando possui um território comum, segue o mesmo código de leis e é ligado por laços históricos, culturais e lingüísticos.
Os judeus começaram sua trajetória na história da humanidade como uma grande família, só se tornando "povo" quando, já depois do Êxodo do Egito, receberam do Todo Poderoso a Torá e a promessa da posse de Eretz Israel. Era a aurora de Am Yisrael, o Povo Judeu. Desde então esses dois laços - a Torá e a Terra de Israel - unem todos os seus integrantes.
A importância da Torá é tão grande que o povo de Israel é reconhecido por todas as nações como o "povo do Livro". Apesar de muitos não saberem a que "livro" este título se refere, trata-se da Torá, entregue aos judeus no Monte Sinai.
Mas, qual teria sido a data exata desse acontecimento único e extraordinário? Em que dia da semana D'us se revelou no Monte Sinai? Sabe-se que foi durante a festa de Shavuot. Por isso, a festividade é também chamada de Chag Matan Torá, literalmente "a Festa da Outorga da Torá".
O curioso é que na Torá não há menção explícita sobre a data. Todos os demais dias sagrados do calendário judaico são definidos e registrados nas Escrituras. Pessach se inicia no dia 15 de Nissan; Rosh Hashaná, em 1º de Tishrei; Yom Kipur, em 10 de Tishrei; Sucot, em 15 do mesmo mês e, assim por diante. Mas, no que toca a Shavuot, é diferente. A Torá ordena: "Contarão 49 dias após o primeiro dia de Pessach e, no qüinquagésimo, será a festa de Shavuot...". Por que não consta claramente que Shavuot ocorreu em 6 de Sivan? Certamente há um propósito para a omissão.
No Talmud, os Sábios discutem acerca da data da entrega da Torá, quando D'us se revelou explicitamente a todo um povo, pela única vez na história da humanidade. A maioria afirma que esse evento ímpar ocorreu no sexto dia do mês de Sivan. Rabi Yossi, um dos pilares do Talmud, discorda e afirma que a Outorga ocorreu no sétimo dia desse mês. O Talmud elucida e esclarece a razão para a diferença de opinião.
Todos os Sábios concordam que a saída do Egito aconteceu no quinto dia da semana, no dia 15 de Nissan, e que a Torá foi entregue 50 dias depois, num Shabat. A dúvida é se o mês de Iyar daquele ano teve 29 ou 30 dias. Para se entender o porquê dessa dúvida, é necessário lembrar que como, na época, ainda não havia sido instituído o calendário fixo, o início do mês, Rosh Chodesh, era decidido de acordo com o testemunho ocular da aparição da Lua Nova. Assim que alguém visse a olho nu uma partícula da Lua, por menor que fosse, deveria declarar o fato perante a Corte. E, para que a Corte proclamasse o início do novo mês, eram necessárias duas testemunhas do mesmo fato. Naquela época, Rosh Chodesh podia ser celebrado durante um ou dois dias e, portanto, os meses poderiam ter 29 ou 30 dias.
Nossos Sábios concluíram que, se no ano em que foi entregue a Torá, o mês de Iyar foi de 29 dias, Rosh Chodesh Sivan, o primeiro dia do mês de Sivan, caiu no primeiro dia da semana. O Shabat, sétimo dia, ocorreu, portanto, no dia 7 de Sivan. Por outro lado, se o mês de Iyar daquele ano teve 30 dias, Rosh Chodesh Sivan caiu no segundo dia da semana. Por conseguinte, o primeiro Shabat daquele mês - dia em que foi entregue a Torá - ocorreu em 6 de Sivan.
Mas, com a instituição do calendário fixo por Hillel II, no ano judaico de 4419 (IV século desta Era), a necessidade de testemunho ocular deixa de existir, pois o calendário determina, de antemão, quais os meses com 29 e quais os com 30 dias. Vale a pena ressaltar que há apenas duas exceções: os meses de Cheshvan e Kislev, que, dependendo do ano, podem variar, entre 29 ou 30 dias. Quando ambos os meses têm apenas 29 dias, o ano é considerado "Chasserá", em falta. E, quando ambos têm 30 dias, o ano é chamado de Shelemá, completo. Por outro lado, quando Cheshvan tem 29 dias e Kislev 30, o ano é considerado Kessidrá - ou seja, todos os meses seguem a "ordem exata", uns com 29 e outros com 30 dias.
Portanto, desde a instituição do calendário fixo, Shavuot passou a ocorrer sempre no dia 6 de Sivan. Na Diáspora, as festas são observadas durante dois dias. Assim sendo, fora da Terra de Israel, Shavuot é celebrado nos dias 6 e 7 de Sivan.
Curioso - e profundo
Uma pergunta surge, espontaneamente: como é possível que uma data tão importante e marcante para o Povo de Israel, como a da Outorga da Torá, não esteja nitidamente definida na mesma? Há outras datas menos importantes para o nosso povo que, no entanto, estão registradas com clareza, não deixando margem para dúvidas. Há uma razão para tal. Ao omitir a verdadeira data de Shavuot, D'us ensina que a Torá está acima do tempo e do espaço. Por ser uma obra Divina, é válida para qualquer época e qualquer lugar. Não é limitada a uma estação do ano nem a um lugar específico.
O fato de estarmos no século XXI e vivermos longe da Terra de Israel não nos impede de continuar ligados à santidade da Torá e de seus mandamentos. Nosso povo sobreviveu a destruições, perseguições, pogroms e, sobretudo, ao Holocausto, em nossos dias. Passou 2 mil anos na Galut e sem o Templo Sagrado, mas jamais se afastou de D´us e de Sua sagrada Torá.
A Torá e sua proximidade com o homem
O Talmud menciona as medidas exatas das Tábuas da Lei. Ao contrário do que se pensa, eram de formato quadrado, não retangular. Tinham, segundo uma medida da época, 6 punhos de cumprimento e 6 punhos de largura.
O Midrash utiliza uma figura de linguagem antropomórfica, atribuindo características físicas a D'us quando descreve o momento em que o Todo Poderoso entregou as Tábuas com os Dez Mandamentos a Moisés. Segundo esse Midrash, as "Mãos" de D'us ocupavam um espaço de 2 punhos das Tábuas e as mãos de Moisés outros 2. Restava, pois, uma distância de 2 punhos entre as "Mãos" de D'us e as de Moisés, já que as Tábuas mediam 6 punhos. Ou seja, apenas essa pequena distância "separava" o profeta do Todo Poderoso. Porém, antes de lhe entregar a Lei, D'us diz a Moshé que o povo pecara ao construir um bezerro de ouro. E, para mostrar Seu descontentamento com o Seu povo, D'us quis tomar de volta as Tábuas das mãos de Moshé Rabeinu. Mas este não cedeu, usando de toda a sua força para retê-las junto a si. E o conseguiu, como que "arrancando-as" das "Mãos" de D'us.
É muito intrigante esta imagem do Midrash - atribuindo dimensões físicas à Revelação Divina e descrevendo o que é quase um "duelo" entre um homem finito e o Criador Infinito. O Maharal de Praga explica que desta passagem tiram-se duas grandes lições. A primeira é que a Torá está muito próxima do homem. Está a nosso alcance, já que apenas 2 punhos se interpunham entre o Criador e Sua criatura. Conforme ensinamento dos Sábios, um espaço entre dois objetos com menos de 3 punhos é considerado "unido e fechado", pois, segundo as leis de medição referidas na Torá, uma distância menor que 3 punhos não é considerada um "vazio". Como entre D´us e Moshé havia meros 2 punhos, isso significa que não há distância entre nós e a Torá - que está muito próxima de nós, praticamente ao alcance de "nossas mãos".
Uma pergunta pode vir à mente: "Que ligação tenho eu com o Criador, o Todo Poderoso, Onipresente e Onipotente? Afinal, sou apenas uma criatura pequena e insignificante perante a imensidão do Macrocosmo. Quem sou eu para que D'us transmita Sua mensagem a mim?" Certamente, somos todos muito pequenos. Mas, nossa grandeza provém do fato de que D´us se aproximou de nós e nos entregou Seus ensinamentos. O Todo Poderoso não nos elevou até os Céus para nos dar Sua Torá; Ele próprio desceu sobre o Monte Sinai para se conectar a Seu povo. Neste imenso Universo, o ser humano é minúsculo, porém sua força e sua grandeza provêm do Altíssimo, que lhe delegou tudo isso.
A outra lição a se depreender dessa passagem é que é vontade do Todo Poderoso que o ser humano se esforce para conseguir o que necessita para si e que tome suas próprias decisões. Ao nos entregar a Torá, deu-nos, também, todas as "instruções" necessárias para podermos fazer as escolhas certas. No episódio do bezerro de ouro, D'us, em Sua infinita bondade, deu a Moshé Rabeinu a oportunidade de meditar e decidir sobre a melhor maneira de agir. O Altíssimo poderia ter "arrancado" as Tábuas das mãos de Moshé; isto é, anulando o pacto que firmou com o Povo Judeu por meio da Torá. Mas não o fez, para ensinar ao homem esta grande lição. A Torá contém a essência da Infinita Sabedoria Divina e foi confiada ao Povo de Israel. Façamos bom uso dessa dádiva, dedicando nosso precioso tempo a estudá-la e a deleitar-nos com seus ensinamentos.


Rabino Avraham Cohen é rabino da Sinagoga Beit Yaacov

Chag Shavuot: Nossa próxima Festa
CHAG SHAVOUT( FESTA DAS SEMANAS)

Em nossos dias (visto não temos o Beit Hamicdash), a festa de Shavuot não tem Mitsvot (mandamentos) específicos da Torá que caracterizem o significado desta Festa como os das outras, como Pessach ( a proibição de Chamêts e o preceito de Matsá), Sucot ( os preceitos da Cabana e das Quatros Espécies – Lulav, Etrog, Hadas e Aravá). Porém, esta Festa se destaca por um conteúdo rico e elevado significado espiritual, que ganham expressão por meio de uma riqueza de costumes e grandes idéias que se consolidaram ao longo dos séculos, no seio das comunidades judias através do mundo. O significado multifacetado desta Festa se reflete nos seus diversos nomes, que aparecem nas antigas fontes: Festa da Safra, Festas das Primícias, Festa da outorga da Torá, Festa das Semanas, Atseret (Conclusão) e outros. Cada nome expressa um aspecto da essência da Festa.
“CONTAGEM DO OMER”
A Torá não menciona uma data exata para a Festa de Shavuot, de maneira ao “Sefirat haômer” (a contagem de dias entre Pessach e Shavuot). Começamos a “contagem do ômer a partir do segundo dia de Pessach – dia 16 de Nissan – contando 49 dias, que são sete semanas, e no qüinquagésimo dia festejamos Shavuot. Temos o costume de fazer uma “berachá” (benção) especial, todas as " Contagens do Ômer” tem duplo significado: agrícola e espiritual. As três Festas de peregrinação são caracterizadas pela Torá também pelas estações vigentes na Terra Santa. A estação da safra começa na época de Pessach, quando a primeira cevada é cortada, da qual se leva um “Ômer”(nome de uma medida de volume de mais ou menos 4 Litros) ao Beit Hamicdash, em sinal de gratidão. A partir daquela data começa a amadurecer o resto dos produtos da terra.
Em Shavuot termina a safra com o corte do trigo. A Festa de Sucot, por sua vez, que a Torá chama de Festa da Colheita, vê o encerramento anual de todos os trabalhos agrícolas. Segundo o preceito da Torá, todo dono de terra que colheu qualquer uma das sete espécies, pelas quais se destaca Erets Yisrael – trigo, cevada, uva , figo, romã, azeitona e tâmara – era obrigado a levar as primícias desses produtos( Bicurim) ao Beit Hamicdash aos cohanim (sacertodes). O prazo para levar Bicurim do Beit Hamicdash se prolongava desde Shavuot até a Festa de Sucot. É devido à safra, que chega ao seu ponto alto nesta época, que se chama a Festa da Safra, conforme está escrito: “e a festa do corte dos primeiros frutos, que tiveres semeado no campo” (Ex. 23,16).
No tempo do Beit Hamicdash, quando a maioria do nosso povo vivia em paz na Terra Santa e lavrava a terra, a agricultura marcou profundamente o caráter da Festa. A época de Bicurim era inaugurada com a impressionante cerimônia da apresentação da “oferenda dos Pães”, que a Torá chama de oferenda nova” ( Num. 28,26).
OUTORGA DA TORÁ
Depois da destruição do Templo, quando nosso povo se dispersou entre os povos de mundo e se afastou de sua pátria, a alegria do recebimento da Tora, a qual nos foi dada em Shavuot, se tornou o principal conteúdo desta Festa. O próprio nome “Festa da Outorga da Torá” originou dos Homens da Grande Assembléia que viveram e atuaram no início da era do Segundo Templo, na época quando foram redigidas nossas orações.
“Atseret”é mais um nome desta Festa, que aparece nas fontes Rabínicas. A palavra significa abster-se, isto é, de toda obra, que hoje em dia, desde a destruição do Templo, é a única imposição da Tora, referente a Shavuot, que está em vigor. Há os que consideram a insistência dos nossos Sábios em chamar esta Festa pelo nome de Atseret um eco da grande polêmica fundamental, que havia entre os Saduceus, mais tarde sucedidos pelo caraitas, aqueles na época do Segundo Templo, estes na dos Gaonitas (Séc. VI-XI), e os Fariseus, no tocante à data desta Festa. Devido a uma interpretação errônea da expressão da Torá(“mimachorat hashabat”), os Saduceus e os caraitas consideravam Shavuot uma festa móvel, que sempre tinha de cair em um domingo. Para marcar sua discordância, os nossos Sábios usaram o nome de Atseret, para deixar claro que era diferente do Shavuot das Saduceus e caraitas, e era celebrado sempre cinqüenta dias após Pessach.
Realmente, Shavuot não conta com preceitos específicos, como Pessach e sucot, contudo as comunidades judaicas do Leste e do Oeste supriram, ao longo dos séculos, esta falta e deram expressão ao significado do dia através de costumes e símbolos que exprimem, em uma atmosfera singular, o significado íntimo da Festa.
Um dos costumes mais difundidos, é comer comidas de leite e queijo em Shavuot, havendo para isto vários motivos. Um deles é o seguinte: quando o povo de Israel voltou do Monte Sinai, tendo aceitado as Leis da Torá, inclusive as referentes ao cashrut, não podiam mais usar seus utensílios, e tiveram de recorrer a alimentos de leite.
Um outro costume é enfeitar as sinagogas com plantas e flores bonitas e com enfeites de chamam, no folclore judaico, “shoshanot”(lírios). O verde simboliza a pastagem que havia em volta do Monte Sinai
e as plantas e árvores expressam o que os nossos Sábios dizem, que as frutas das árvores são abençoadas em Shavuot.
VIGÍLIA
Um costume conhecido, aceita em todos os recantos do mundo judaico, é o estudo da Torá, durante a noite inteira de Shavuot. este costume é muito antigo. Os eruditos estudam e se aprofundam na sabedoria da Torá, com grande entusiasmo e alegria. Outros recitam o “Ticun Lêl Shavuot”, que é uma coletânea de trechos do Tanach (Bíblias) e Midrashim (ensinamentos) dos nossos Sábios que foi composto pelos cabalistas em Tsefat, no século XVI. Terminado o estudo, ao raiar do sol encerra-se a vigília com a oração matutina festiva. As comunidades ashkenazim têm o costume de ler a poesia, escrita em aramaico, conhecida pelo nome de ACDAMUT (introdução), que compreende noventa estrofes, que terminam todas elas com a silaba “ta”. Seu conteúdo é uma canção de louvor a D-us por ter escolhido o povo de Israel para ser Seu Povo, uma definição da condição de sua fé em relação à dos outros povos e a expressãoLIVRO DE RUTE
Um outro costume sagrado é a leitura do livro de Rute, em SHAVUOT, que é um dos “cinco Rolos” das Escrituras Sagradas. Há diversas explicações para isso. O acontecimento central do livro ocorre na época da safra, que é a época de Shavuot. o personagem principal é Rute, que aceitou a fé judaica, assim como o nosso povo aceitou sua identidade judia, na Festa de Shavuot. além do mais, o livro de Rute contém a ascendência do Rei David (que era bisneto de Rute) que, de acordo com a tradição, nasceu e morreu em Shavuot, um novo Sêfer Torá nas Sinagogas, com grande festividade, ou, outros ainda, que iniciavam as crianças pequenas, nesse dia, no ensino da Torá, através do ensino das letras hebraicas, num quadro enfeitado, ilustrado e colorido, encimado com as palavras de “Torá tsivá lanu...” -Moisés nos ordenou a Lei, por herança da congregação de Jacob”(Deut. 33:4).

Fonte: Sidur Sefer.



CHAG HA PESSACH (FESTA DA PÁSCOA) : POR QUE COMEMORAR?

A HISTÓRIA DE UM REGRESSO


    A  cerca de 4000 anos atrás, D-us chama um homem, dentre tantos daquela geração para a partir dele extrair uma estirpe de homens, a imagem da justiça de sua lei. Avram, é instruído pelo mandado divino a se dirigir a uma terra desconhecida e distante, a qual até os dias de hoje, seria cobiçada por todas as demais nações da terra. Considerada pelos sábios como sendo o centro do mundo, Eretz Yisrael é para nós mais do que um ponto geográfico, é o centro espiritual de toda a vida judaica. O regresso para ela representa e definitivamente, rumo a raiz maior de nossa fé e a esperança do estabelecimento de um mundo de paz e harmonia, trazido pela chegada do Mashiach e o regresso da Shechináh( presença) do eterno a este planeta.

   

Nos dias de Mosheh Rabenu, de bendita memória, fomos conduzidos como uma noiva, levada ao centro de seu desejo, a fim de alcançar o anseio maior de seu coração. Levados ao longo de quarenta anos, fomos ao encontro de nosso destino. Repetindo os passos de nosso pai Avraham, seguimos rumo a uma terra que mana leite e mel. Poucos de nós restaram, dos que saíram de um mundo de escravidão. Acostumados as duras cargas, a liberdade parecia bem mais um fardo difícil de carregar, com a qual não estávamos acostumados. Um povo de dura cerviz, assim fomos chamados por nosso mestre  Moisés. Mas ao longo de nossa caminhada, sentíamos que nosso Criador e Pai nos preparava para sermos dignos de herdar o presente maior que nossa vida: O caminho de volta pra casa.

    Relembrar a saga de nossos pais significa mais do que cumprir uma mera tradição. Representa o anseio de ano após ano, nos fazermos lembrar de que sempre é tempo de voltar.  

                                                                          


PESSACH


     A Festa de Pessach, que foi a primeira que fomos ordenados a celebrar, comemora a libertação dos  Filhos de Israel da escravidão egípcia, (cerca de 1290 a.e.c). Esse acontecimento se constituiu como um dos fundamentos principais da tradição judaica, da criação espiritual e da civilização do nosso povo. Ele é mencionado inúmeras vezes nas Escrituras sagradas, muitos mandamentos estão vinculados a ele, a maior parte das Festas Judaicas dele originaram e é referido nas orações com as palavras “lembrança da saída do Egito” e acha expressão nos cantos e nas poesias de muitas gerações. Qual o segredo da grande importância deste maravilhoso evento?

    Os nossos antepassados desceram ao Egito como uma família pequena, lá foram escravizadas e submetidas a trabalhos pesados, sob a pressão de guardas implacáveis. Quando já estavam á beira da destruição total, o Eterno os socorreu, foram salvos da escravidão e levados para a liberdade e para o caminho da Terra Prometida. Logo em segunda, quando receberam a Tora, no Monte Sinai, a Liberdade física ganhou conteúdo espiritual e o destino eterno do judaísmo. Este acontecimento teve grande significado na historia da Humanidade, também. A idéia da liberdade tomou forma concreta pela primeira vez, e desde então serviu como símbolo de todo povo independente.

NAÇÃO LIVRE


     O Êxodo do Egito transformou aquela família, que no entretempo havia crescido muito em uma endurecida e livre. Celebramos o nascimento e a formação da nossa nação, nas noites de Seider (preparativos) da festa de Pessach, com grande solenidade e pompa. O anseio pela liberdade nunca deixou de palpitar nos corações do povo de Israel, anseio este que passou de geração para geração e que atuou como uma motivação espiritual tão forte, que nenhuma opressão ou conquista conseguiu vencê-la.

     O nome de Chag há-Pessach é o mais usado e popular de todos os outros nomes- Chag há-Matzot( festa dos Ázimos), Festa da Liberdade |(Herut), Festas da Primavera(Aviv)_ desta Festa e deriva da décima praga, a da morte dos primogênitos, quando o Anjo da Morte saltou  por sobre as casas dos Filhos de Israel ( Pessach = salto).

    A Festa de Pessach começa no dia 15 de Nissan ( neste ano cairá no pôr-do-sol do dia 02 de Abril) e se prolonga por oito dias. Os primeiros e últimos dias são de plena Festa. Segundo a tradição, os nossos antepassados saíram no primeiro dia, e no sétimo dia entrarem no mar Vermelho e o atravessaram em terra firme e seca e cantaram a Shirá( canção de louvor). Os quatro dias intermediários também têm caráter festivo essem chamam Chol Hamoêd. Nestes dias costuma-se fazer somente os trabalhos necessários.

Os preparativos


     Os preparativos começam muito antes da Festa. Limpam-se as casas, para que não permaneça nenhum Chamêts (alimento fermentado proibidos em Pessach) conforme está escrito: “não seja visto nenhum Chamêts em todo teu domínio”.

    O conceito de Chamêts tem também significado simbólico moral e filosófico. O fermento (Chamêts) simboliza defeitos pessoais, altivez e orgulho. Toda pessoa tem a obrigação de fazer um exame de consciência de seus atos e comportamentos e erradicar da sua alma as más qualidades - o “fermento” que dentro de si - até que não sobre nem um pouco.

    Na noite anterior ao dia 14 de Nissan faz-se a busca de Chamêts, em todas as dependências da casa para que seja eliminada. 

PÃO DA POBREZA


     A Matsá simboliza o “pão da pobreza“ que os nossos antepassados comeram na escravidão, no Egito, bem como lembra a pressa com que lá saíram, na hora da libertação, quando não deu tempo para a massa fermentar. A Matsá é feita só de farinha e água, e o processo precisa ser muito rápido.


O SEIDER


     O Seider representa o ponto alto da Festa de Pessach. A família, amigos e convidados estão em torno da mesa, e reina uma atmosfera solene elevada e agradável. O chefe do Seider preside á mesa sentado numa poltrona confortável, á maneira antiga de homens livres. O Seider é conduzidos por símbolos tradicionais que constam da Hagadá(Narrativa) de Pessach, que constituem os pontos principais do programa da noite, que se desenvolve em torno de dois preceitos principais: o relato do êxodo do Egito e o comer da matsá. Os muitos costumes que enriquecem o ritual têm por finalidade criar uma conscientização entre os participantes como se tivessem, eles mesmos, saído do Egito, como estivessem passando pela experiência da libertação. E o povo judeu continua rezando três vezes por “que os nossos olhos vejam Teu retorno a Tsion”. Somente um povo que educa seus filhos desta maneira conseguirá manter esta esperança até a concretização de seus sonhos.

    Todos os costumes, mesmo os menos pertinentes, têm por finalidade despertar o interesse e provocar os “por que”.


O “RELATO”


     A Hagadá fornece as respostas ás perguntas dos filhos sobre o caráter e conteúdo da Festa. A palavra “hagadá”(relato) vem das palavras da Torá “ Vehigadetá...”( e relatarás ao teu filho...). A parte principal do texto da Hagadá é muito antiga, e se formou durante varias gerações. Cada geração e comunidade acrescentou sua contribuição. A Hagadá consiste de trechos da Bíblia, do midrash( Talmud) e de poesia, e passa em revista toda a temática de Pessach, desde a época dos Patriarcas até ao recebimento da Torá, no monte Sinai. Ela se tornou um dos livros mais queridos e  mais populares. Desde o nascimento da arte gráfica, aparecem mais de 2250 edições, em diversas línguas, foram escritos muitos comentários e publicados muitas edições artísticas. A primeira Hagadá foi impressa em 1482, na Espanha.

    Tomamos quatro copos de vinhos durante a leitura da Hagadá, que aludem aos múltiplos objetivos da libertação de Israel, e4 lembram as quatro expressões da libertação, usadas na Tora, no capitulo do êxodo do Egito. Pelo final do Seider enche-se um quinto cálice, que se chama popularmente de “copo do Profeta Elias”, o qual não se toma. A origem desta expressão está no Talmud, onde há uma discussão sobre se devem tomar quatro ou cinco copos. Como não se chegou a uma conclusão definitiva, e segundo nossa Tradição todas as duvidas serão resolvidas pelo Profeta Elias, por ocasião da vinda do Messias, este quinto cálice tem seu nome.

       Fontes:

     Sidur Sêfer; 
    Hagadah do Pessach da Congregação Isaelita da Nova Aliança.




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