Congregação Israelita Beit Itabuna - BA: A educação começa no nascimento

A educação começa no nascimento

A psicologia moderna descobriu e demonstrou que um bebê começa a absorver impressões duradouras que moldarão sua personalidade e permanecerão com ela por toda a vida — conceito que o rei Salomão ensinava há mais de 2800 anos. Através de gerações, as mães judias faziam seus bebês adormecerem através da entoação de canções que exaltavam a beleza da Torá.

Antes mesmo que a criança inicie a articulação das sílabas de suas primeiras palavras, o processo educacional já começa no nascimento, pois no berço ela já observa e absorve o que se passa ao seu redor.

Indo mais longe ainda, mesmo no período de gestação, o feto responde a estímulos e mantém ligações que podem as vezes passar despercebidas como respostas à estímulos como ruídos, percepção de voz, sentimento de afeto, entre outros.

A palavra hebraica Chinuch significa muito mais do que simplesmente educação no sentido de dar à criança fatos e números para serem assimilados. Chinuch significa moldar o caráter da criança e guiá-la, passo a passo, pelos caminhos que a ajudarão a torná-la uma pessoa íntegra e um bom judeu em sua totalidade.

A escolha de um nome

Quando D'us fez o primeiro homem, Adam, instruiu-o a dar nomes a tudo que Ele criara. Nossos sábios nos dizem que Adam compreendia as origens de todas as criaturas e assim era capaz de designar para cada coisa um nome apropriado correspondente à sua fonte no céu.

Semelhantemente, segundo a tradição, os pais recebem uma inspiração Divina ao selecionarem nomes para os seus filhos. Deste modo, não importa qual o nome judaico escolhido, certamente ele será o mais adequado para aquele menino ou menina.

Um nome ajuda a estabelecer um elo entre a criança e a herança do seu povo. Geralmente é selecionado através do vasto tesouro de nomes encontrados na Torá e no Talmud ou em nomes tradicionais judaicos que foram dados a crianças judias no decorrer de gerações.

O mero registro de um nome, atribuído à semelhança dos nomes comuns do país onde se reside, junto às autoridades civis para fins de diferenciação não basta, pois não é suficiente para dar à criança uma identidade judaica.

O nome da pessoa está intimamente ligado à essência de sua alma. Se uma pessoa desmaiar, poderá ser reanimada se alguém sussurrar-lhe ao ouvido seu nome judaico

Tradições diferentes

Entre os judeus ashkenazim é costume dar ao filho ou à filha o nome de um parente próximo já falecido, cuja vida foi uma inspiração para todos, e cujas qualidades os pais gostariam de ver renascidas e emuladas em sua própria criança.

Os judeus sefaradim, frequentemente dão a seus filhos o nome de um avô ou de uma avó estimados, ou ainda de um outro parente vivo como forma de homenageá-lo.

Outro costume, amplamente difundido, é o de dar à criança o nome de uma grande personalidade da Torá, formando assim um elo espiritual entre os dois.

Identidade

Quando o povo judeu era escravo no Egito, esse país era o centro do mundo civilizado e havia atingido o que então era considerado o ápice da cultura secular. Embora os judeus permanecessem em cativeiro por mais de duzentos anos, nunca perderam sua identidade como nação. Nossos sábios atribuem este fato à três elementos que os fizeram merecer a liberdade da escravidão: a conservação do seu próprio idioma (hebraico), o fato de se vestirem seguindo suas tradições e a conservação de seus nomes judaicos.

A fala

Assim que a criança começa a falar, inicia-se uma nova fase em sua vida. Versículos da Torá lhe são ensinados, a recitação do "Shemá Israel", antes de dormir, "Modê ani", ao acordar, demonstrando desta forma, em cada ato e em cada pequena prece, que existe um Criador que nos cuida e nos envia bênçãos a cada dia e quer que a gente cumpra Seus mandamentos, as mitsvot, através da Torá, Seu Guia de vida.

O quarto de um bebê não deve ser "ornamentado" somente no aspecto físico, que engloba dezenas de brinquedos e objetos coloridos. A preocupação de seus pais deve ser de proporcionar uma paz e proteção espiritual através da aquisição de livros sagrados entre os quais o Sidur, Chumash e Tehilim.

Uma caixinha de Tsedacá (caridade) deverá ser colocada na prateleira de seu quarto, como um lembrete constante e encorajamento a repartir a sua mesada com os menos favorecidos, no decorrer de cada dia de sua vida.

A escola

Aprendemos que "a Torá é a árvore da vida, para aqueles que se atêm a ela". A escola que escolhemos para nossos filhos deve, portanto e antes de tudo, possuir uma apropriada atmosfera de Torá na qual a atuação de seus diretores seja um exemplo vivo, coerente e de total compatibilidade com os ensinamentos da Torá.

Igualmente importante é a postura demonstrada pelos professores. Eles devem ser indivíduos tementes a D'us, cujo comportamento seja exemplar, pois o estudo da Torá é completamente diferente de qualquer outro – não poderá jamais ser encarado como mais uma matéria do currículo escolar.

Um professor deve ser coerente, se espera que seus alunos pratiquem o que ele ensina. Somente através da combinação dos esforços do lar aliados ao da escola poderemos ter certeza de que a criança será uma fonte de alegrias judaicas para seus pais, a família e o povo de Israel.

Nossos fiadores

Antes de doar a Torá a Israel, D'us pediu fiadores que garantissem seu contínuo estudo e prática de Seus mandamentos. Primeiramente os anciãos foram sugeridos, mas D'us os rejeitou; depois os líderes foram apresentados, mas também foram considerados inaptos.

A quem D'us finalmente aceitou como fiadores de seu sagrado legado?

Foram as crianças pela sua pureza às quais seriam ensinadas e educadas pelos seus pais e professores para se comprometerem com uma vida plena e significativa de Torá.

É nossa obrigação e responsabilidade fornecer aos nossos filhos uma genuína educação judaica baseada nos ensinamentos da Torá e no comprometimento com as mitsvot. Desta forma permanecerão para sempre, fiadoras do legado Divino e de Suas eternas bênçãos de vida e continuidade judaica.

Fonte: Beit Chabad

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