Congregação Israelita Beit Itabuna - BA: CHAG CHANUKAH

CHAG CHANUKAH

CHANUKAH – A FESTA DA DEDICAÇÃO                        

Por Périclis Pereira



A Festa de Chanukah, também conhecida como Festa da Dedicação, comemora a retomada do Templo por parte dos judeus, seguida de sua purificação, após angustioso tempo de profanação, encabeçada por Antíoco Epifanio, imperador grego. A festa é comemorada ao longo de oito dias, a partir do dia 25 de Kislev, no calendário hebraico, coincidindo, quase sempre, com a segunda quinzena de Dezembro, no calendário gregoriano.
Estes oito dias festivos referem-se ao milagre acontecido assim que os judeus retomaram o controle dos serviços templários, quando pretendiam recomeçar os trabalhos de instauração da adoração ao seu D-us. Ao intencionarem acender a Menorah (Candelabro de sete braços), o que deveria anteceder, todo e qualquer ritual sacrificial oficial, perceberam que apenas uma pequena quantidade de azeite puro, havia sido preservado da destruição, dentro de um cântaro de barro lacrado com o selo sacerdotal, que garantia sua autenticidade. O óleo encontrado seria suficiente apenas para um dia de iluminação, e o preparo de um novo azeite, duraria sete dias mais. A surpresa foi que aquele óleo encontrado durou, ao invés de apenas um dia, mais sete dias alem do que deveria durar, o que permitiu aos judeus prepararem um novo óleo para a Menorah. Este evento é conhecido como o Milagre de Chanukah e até hoje é comemorado pelo povo de Israel como forma de mencionar as grandezas de D-us e seus poderosos feitos.

A PROFECIA DE DANIEL

Era o terceiro ano do reinado de Belsazar, um dos que sucederam o trono de Nabucodonozor, rei do Império Babilônico, no ano aproximado de 3208 (calendário Hebraico) – 553 a.ec (calendário Gregoriano). O profeta Daniel, um dos sábios que haviam sido trazidos a presença do rei Nabucodonozor, a pós a tomada de Jerusalém, teve um sonho. Neste sonho constava o destino deste reino, e relatava a cerca da transição do reino Medo-Persa, tempo em que se cumpriria o sonho, para o império Grego, inicialmente governado por Alexandre III o Grande, rei da Macedônia, filho de Filipos II.

Capitulo VIII do Livro do Profeta Daniel Este capítulo relata o sonho de Daniel e a sua interpretação fornecida por Gavri-El (Forte de D-us), enviado pelo Todo-Poderoso. Neste sonho Daniel contemplou a visão de um carneiro que dava marradas para os quatro ventos da Terra (Vs. 3-4) e ele tinha dois chifres altos, um maior e outro menor. Este carneiro, de acordo com a interpretação fornecida pelo próprio texto (Vs. 20) representava o Império Medo-Persa, governado por Xerxes, filho de Ciro rei da Persia e Dário, rei dos Medos, representados pelos dois chifres. Suas marradas para os quatro ventos, significa sua ambição por afrontar toda a Terra afim de conquistá-la. O texto ainda relata que, inicialmente, nenhum dos animais da Terra o podiam resistir (Vs. 4), o que significa que nenhum dos reinos da terra era capaz de medir forcas com os exércitos de Xerxes e Dario, tamanha era a sua força.
No entanto, ainda de acordo com o sonho de Daniel, um bode enfurecido munido de um chifre notável entre os olhos, vinha da região do ocidente (Europa Oriental), e após percorrer toda a Terra sem tocar o chão, ou seja, velozmente, dirigiu-se ao carneiro, para o afrontar (Vs. 5-7). O bode representava o Império Grego, que derrotaria o Império Medo-Persa, aquele, governado pelo grande conquistador Alexander Maximus (Alexandre o Grande), representado pelo chifre notável que representava o poder do bode, ou seja, a força que Alexandre representava ao Império Grego (Vs. 21). Ao afrontar o carneiro do oriente, o bode consegue quebrar os dois chifres do carneiro (Vs. 7) o que significa que Xerxes e Dario, co-governantes do Império Medo-Persa, seriam derrotados por Alexandre o Grande, que após vencer seus exércitos dominaria a Ásia Menor que até então representava a extensão total do Império Medo-Persa. Neste período da história, os judeus já haviam retornado a sua terra e reconstruído o Templo que Nabucodonozor havia derrubado, em sua conquista de Jerusalém. Isto havia sido profetizado pelo mesmo profeta Daniel, em sua profecia a cerca das “Setenta Semanas”, a qual não é relevante a este estudo. 
O sonho continua e em sua visão Daniel vê que o mesmo bode que havia derrotado o carneiro que representava o Império Medo-Persa, agora teve seu chifre notável quebrado e em seu lugar crescia outros quatro chifres para os quatro cantos da terra (Vs. 8). O relato diz que o bode se pos diante do rio e ao chegar perto do carneiro, partiu em direção a ele com toda a sua fúria, quebrando-lhe ambos os chifres. Em seguida, veja bem, “No Auge de Sua Força”, ele próprio quebrou o seu chifre. A quebra do chifre do bode representa a morte de Alexandre o Grande. Ele tinha 26 anos de idade quando, após a morte de Dario em 330 a.ec, foi conclamado rei da Pérsia e, portanto, regente de da maior parte do mundo então conhecido. Após conquistar a Índia, na intenção de expandir ainda mais o seu reino, Alexandre tenta retornar a Pérsia, mas, em sua viagem de volta é ferido gravemente e acometido de terríveis febres. Alexandre o Grande morreu na Babilônia, a 13 de junho de 323 a.ec, com a idade de 33 anos. O império que com tanto esforço edificou, e que produziu a harmoniosa união do Oriente e do Ocidente, começou a desmoronar, já que só um homem, com suas qualidades, poderia governar território tão amplo e complexo, mescla de povos e culturas muito diferentes.
O versículo 8 termina dizendo que no lugar deste chifre, que representa Alexandre, cresceram outros quatro chifres. Com a morte do grande conquistador, seu reino é dividido entre seus generais, inicialmente cinco: Cassandro, Lisímaco, Selauco, Antígonodos e Ptolomeu. Este ultimo porem só se proclamará rei no ano de 305 a.ec. O quadro, porém, ainda não está definido. Veja a baixo, o quadro inicial o governo do império grego, após a more de Alexandre:

         Cassandro (306-297 a.ec.): Governa a Macedônia

         Selêuco (306-281 a.ec.): Será o rei da Babilônia e da Síria

         Lisímaco (306-281 a.ec.): rei da Trácia.

         Antígono (306-301 a.ec.) e Demétrio Poliorceta (306-286 a.ec.): Reis da Celessíria

* Ptolomeu se proclama rei apenas no ano seguinte, (305 -282 a.ec a.ec) e fundando a dinastia dos Lágidas, sediada em Alexandria.

Vemos, portanto, que neste ponto ainda não é possível contemplar o cumprimento da profecia, já que o Império, aqui verificado, está distribuído em cinco reinos e não quatro, como sugere a profecia. Contudo, algo o corre, no ano de 301 a.ec, que concluiria o processo organizador que culminaria na formação do cenário político-histórico, vislumbrado por Daniel, mais de duzentos e cinqüenta anos antes.
Em Ipsos, na Frígia, uma coalizão de reis - Cassandro, Selêuco e Lisímaco - vence Antígono, que morre na batalha, enquanto Ptolomeu ocupa a Celessíria. Termina, assim, em Ipsos, qualquer pretensão de formar um império que unifique Europa e Ásia.
Após Ipsos acontece nova redivisão de territórios:

            Lisímaco - Com a Ásia Menor

            Cassandro - Com a Macedônia

            Selêuco - Com a Síria

            Ptolomeu - Com o Egito e a Celessíria

* Selêuco quer a Celessíria para si, mas Ptolomeu não a entrega. Selêuco funda, em 300 a.ec, Antioquia para ser a capital de seu reino.

Seleuco iniciará uma luta em direção ao sul, no intuito de conquistar o reino de Ptolomeu, esta disputa durará algumas gerações. A dinastia dos Ptolomeus resistirá por cento e três anos em que Alexandria se tornara o centro da vida econômica o dos povos dominados pela dinastia. Neste período, a terra de Israel, já é domínio Ptoilomaico, desde 312 a.ec, quando Ptolomeu I conquista Jerusalém.  
Voltando a profecia de Daniel, verificamos que nossa história não termina aqui. A partir do Vs. 9 verificamos o relato de quede uma das pontas que representam as quatro divisões do reino de Alexandre, cresce uma ponta menor que cresce e se torna muito poderosa. Segundo o relato do profeta, esta ponta atinge até o exercito dos céus, e derrubou alguns que faziam parte deste exercito e os pisou atingindo até o príncipe do exército. Por ultimo ele faria cessar o sacrifício contínuo e erigiria uma abominação no lugar santo(Vs 9-14). Sem em tender o que significara tal profecia, Daniel implora a D-us e Ele lhe revele o significado destas coisas. O arcanjo Gavri-El, então elucida a Daniel o significado destas coisas e diz que esta ponta mencionada refere-se a um rei que sairia da descendência de uma das quatro pontas e se levantaria sobremaneira. Este rei seria feroz e grandemente poderoso. Especialista em intrigas e sua força não estaria em si mesmo. Isto pode significar que ele seria movido por uma força espiritual maligna que o faria vencer e cumprir seu propósito na história. Mais uma vez, podemos ver claramente a profecia de Daniel se cumprir. No ano de 175 a.ec Selêuco IV, descendente de Seleuco I, já citado anteriormente, é assassinado. Assume o poder o seu irmão Antíoco IV Epífanes (175-164 a.ec.), que voltava de Roma, onde era refém desde 188 a.ec., quando seu pai Antíoco III perdera a batalha de Magnésia e assinara o tratado de Apaméia.
A instabilidade do reino selêucida aumenta e Antíoco IV toma medidas helenizantes como forma de consolidar o seu poder. Concede o status de pólis a várias cidades, promove a adoração de Zeus e reivindica para si prerrogativas divinas. Antíoco IV que, de 175 a 169 a.ec., aparece nas moedas cunhadas em Antioquia apenas com a inscrição "Rei Antíoco", a partir desta época começa a ter sobre sua cabeça uma estrela, símbolo da divindade. E a partir de sua vitória sobre o Egito, a inscrição das moedas selêucidas é "Rei Antíoco Theos Epífanes". Nas Palavras do historiador Abel: "Ele pensa, definitivamente, que sua vitória o manifestou como deus, ou que é um deus que se manifestou na sua carne. Ele é o praesens divus, e, segundo sua intenção, o epíteto epifanés, 'manifesto', é relacionado com Theós, ou seja, com sua apoteose".
A partir destes dados, não é difícil concluir que a ponta pequena mencionada por Daniel, trata-se de Antioco Epifânio IV. Após algum tempo, tendo seduzido boa parte dos judeus, que se tornaram súditos seus, devido as vantagens ambiciosas oferecidas pela Grécia, Antíoco atinge o auge de seus objetivos. Saqueia o Templo de Salomão, mata os seus sacerdotes que se negaram a compactuar com ele e edifica no interior do templo, exatamente encima do lugar do sacrifício, uma estátua de Zeus, obrigado todos, inclusive o os judeus a oferecerem ao ídolo sacrifícios de porcos, animal considerado imundo, de acordo com a Torah. 
Daniel Termina seu relato do capítulo 8 de seu livro, dizendo que ao receber tão estrondosa mensagem do Eterno, esteve enfermo alguns dias, e mesmo após sua recuperação não foi capaz de entender completamente o significado destas coisas (Vs. 27).

CONTEXTO HISTÓRICO

A partir do reinado de Antioco Epifanio, o rei seleucida (descendente de Seleuco), a vida dos judeus mudou para muito pior, já que, ao que tudo indica, Antíoco munia dentro de si um profundo e arbitrário ódio pelo povo judeu. O rei, para garantir a concretização de seus objetivos, iniciou uma campanha helenizante que tinha como objetivo transformar todo o mundo conhecido, a partir da implantação da cultura imperial grega, fundando, por todos os lados, Polis Gregas, modelo de cidade que representava a ideologia helênica de sociedade. As atividades sociais gregas, pouco a pouco seduziam a mentalidade populacional da época, semelhantemente ao que hoje ocorre, no que se refere a cultura americana, por meio da produção musical e cinematográfica. Assim como o inglês, nos dias atuais, a língua grega era empregada em todos os povos dominados pela Grécia, e até mesmo aqueles que foram liberados para seguirem a sua própria religião, tinham de mudar o nome de suas divindades para o nome de divindades gregas equivalentes. Até este período os judeus gozavam de certa liberdade. Isto se deve ao fato de Alexandre, ao dominar a região de Israel, ter permitido que os judeus continuassem a seguir sua fé e decidiu não intervir em sua vida religiosa, já que eles se mostraram pacíficos a sua dominação. Mas agora, com a ascensão de Antioco Epifânio, a cultura grega, pouco a pouco, era assimilada pelos judeus mais vulneráveis, principalmente pelos mais jovens, geralmente mais suscetíveis a assimilação cultural. A instituição das “polis” gregas, cada vez mais cercavam Jerusalém e aproximava da vida judaica a intensa massificação de uma consciência helênica de pensamento e comportamento.
A fundação de cidades é um instrumento fundamental para a helenização do Oriente com o conseqüente fortalecimento do poder macedônio.
"A civilização arcaica e clássica tinha coincidido com o desenvolvimento da pólis e era nos grandes centros urbanos, tais como Mileto, Corinto, Atenas, Siracusa, que se tinha desenvolvido a civilização grega. Alexandre tinha mostrado bem ser o herdeiro da tradição, ao semear o Império que acaba de conquistar com numerosas Alexandrias"
Enquanto isto, em Jerusalém, o processo de helenização avançara bastante desde o século anterior, especialmente entre a aristocracia sacerdotal e leiga. Forma-se um forte partido pró-helênico, que pretende incrementar o avanço “civilizatório” grego e, por isso, está em luta com os judeus tradicionais e fiéis à Torah. Estes helenizantes defendem a urgente revogação do decreto de Antíoco III, que os impede de se integrarem totalmente no modo de vida grego. O historiador Abel observa, por exemplo, que a Judéia está cada vez mais cercada por cidades helenizadas e é impossível ao judeu não tomar contato com o seu modo de vida. Quem vai a Ptolemaida passa por Samaria ou Dora; se alguém negocia na Galiléia não pode fugir de Citópolis ou Filotéria; ou na Transjordânia é necessário ir a Pella, a Gadara ou a Filadélfia. Do lado do mar? Marisa está na rota de Gaza ou Ascalon. Jâmnia, Gazara e Jope também não podem ser evitadas.
A ocasião favorável aos partidários da helenização surge quando Onias III, o conservador sumo sacerdote, está em Antioquia cuidando dos interesses de seu povo e Antíoco IV assume o poder. Um irmão de Onias III, Jasão (Joshua) – um descendente de Levi, oferece ao rei alta soma em dinheiro e um rápido programa de helenização dos judeus, em troca do cargo de sumo sacerdote.

A CONTAMINAÇÃO DA ALMA

Maciçamente bombardeados pela helenização, a aderência ao pensamento grego, principalmente entre os jovens e os que queiram se beneficiar financeiramente com isto é cada vez mais crescente.  Jerusalém, não podendo resistir a este processo de suposta civilização, acaba por se render a esta avalanche de sugestão coletiva e transforma-se, finalmente, em uma polis grega. Seu nome, trocado pelo próprio Antíoco, passa a ser, a partir de então, ANTIOQUIA. Com isto, conclui-se o processo de transformação da cidade, com a construção de duas das principais estruturas, concernentes a uma polis grega: Um Ginásio e um Hipódromo.
Assim como o povo judeu, os gregos também tinham seus dias sagrados e seus festivais em homenagem a suas divindades. A cada quatro anos, por exemplo, festejava-se em honra aos deuses do Olimpo, um dos montes onde os gregos acreditavam habitar seus deuses, com um festival chamado de Olimpíada. Estes festivais incluíam, quase sempre, praticas esportivas, que tinham como finalidade honrar a forma humana, idealizada na figura de seus deuses, com exercícios de exibição corporal. Foi neste mesmo período em que se começou a buscar a “forma física perfeita”, que tinha como padrão, as estátuas de divindades pagãs. Estas competições eram realizadas, estando seus participantes, completamente nus, o que ia contra todos os padrões de ética comportamental judaica.
O lugar onde estas competições eram realizadas eram os ginásios. Nestes mesmos lugares, eram também freqüentes eventos cultuais as divindades onde, inclusive, a prática da imoralidade sexual e orgias eram bastante comuns.
Não demorou até que a mentalidade judaica se viu sufocada pelo crescente apelo a imoralidade e a transgressão dos mandamentos da Torah. Surgia, em meio a todo este clamor pela helenização, um grupo de judeus que se aliaram ao império, tornando-se cobradores de impostos de seus próprios irmãos judeus, e uma massa de pessoas que cada vez mais se afastava da vida religiosa judaica e se permitia corromper pela sedutora proposta de uma cultura de comportamento, supostamente livre. O Primeiro livro apócrifo dos Macabeus nos relata pormenorizadamente esta história:
"Por esses dias apareceu em Israel uma geração de perversos (paránomoi) que seduziram a muitos com estas palavras: 'Vamos, façamos aliança com as nações circunvizinhas, pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos'. Agradou-lhes tal modo de falar. E alguns de entre o povo apressaram-se em ir ter com o rei, o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos (dikaiômata) dos gentios". (1Mc 1:11-13)

* O termo “paránomoi” indica, segundo Dt 13,14, pessoas que fazem propostas de apostasia da Lei. Daí que "fazer aliança com as nações" indica renegar a Lei e seguir costumes gentios.

* Também o “dikaiômata tôn éthnôn” (preceitos dos gentios) é significativo. Dikaíôma é usado pelos LXX (Septuaginta) para traduzir o hebraico derek ou mishpat (caminho, direito) significando obrigações legais. Observar os preceitos dos gentios significa, portanto, abandonar as normas da Lei e seguir leis gentias.

Toda esta situação de apostasia, acabou por gerar na minoria conservadora e preocupada no mantenimento dos costumes em acordo com a Lei Judaica, um sentimento de revolta, interpretado pelos heleinizantes como puro radicalismo. As revoltas irrompidas contra os helenizantes, por parte dos chamados, Judeus Piedosos – Hassidim, foram brutalmente suprimidas por Antíoco, que aproveitou o momento para a execução de uma das maiores carnificinas conhecidas, em toda a história judaica. A repressão aos gestos dos que eram considerados como “rebeldes” ao Império, acabou por culminar na conquista definitiva de Antioco, como supremo governador, apoiado por uma grande massa de beneficiados, que o permitiu atingir o ápice de seus objetivos. Atingir o coração da vida religiosa judaica, o Templo de Jerusalém. Em 167 a.ec Antioco determina um perseguição declarada à fé judaica, proibindo a circuncisão, a guarda do Shabat e a preservação das leis alimentares, obrigando os judeus a transgredirem publicamente todas as leis da Torah sob pena de morte aos que se recusassem a isto, com requintes de crueldade. Atos como operações de reconstituição do prepúcio eram comuns entre os judeus helenizantes, que viam o pacto irrevogável de Avraham como uma mutilação ao corpo.

A PROFANAÇÃO DO TEMPLO

Um ano antes da instituição do decreto que proibia os judeus de praticar a sua religião, Antioco IV Epifânio no dia 15 de Kislev  do ano de 3593, no calendário judaico, correspondente ao ano gregoriano de 168 a.ec, institui o que a profecia de Daniel chamou de “assolação desoladora”, ou seja a estátua do ídolo de Zeus, principal dos deuses pagãos gregos, no interior do templo de Salomão, transformando-o em um templo à divindade helênica.
"No décimo quinto dia do mês de kislev do ano de cento e quarenta e cinco [8 de dezembro de 168 a.ec, o rei fez construir, sobre o altar dos holocaustos, a Abominação da desolação. Também nas outras cidades de Judá erigiram-se altares e às portas das casas e sobre as praças queimava-se incenso. Quanto aos livros da Lei, os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Onde quer se encontrasse em casa de alguém um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei, o decreto real o condenava à morte Na sua prepotência assim procediam, contra Israel, com todos aqueles que fossem descobertos, mês por mês, nas cidades. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos, eles, cumprindo o decreto, as executavam com os mesmo filhinhos pendurados a seus pescoços, e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. Apesar de tudo, muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada, como de fato morreram. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel"..  (I Mc. 1:54-64)
Dez dias depois, no dia 25 kislev, é o ferecido o Primeiro sacrifício ao deus pagão, no interior do tempo de Jerusalém e os judeus são obrigados a participar de todo o cerimonial convergente. Os que se recusavam eram mortos e seu sangue derramado no altar do sacrifício, juntos com o sangue dos porcos que eram oferecidos a Zeus. A partir deste período, começa-se a contar as 2300 tardes e manhãs, ou seja, período correspondente a 2300 sacrifícios ou 1150 dias em que não se ofereceria sacrifício ao D-us de Israel, no seu templo.

MATATIAHU HAKOHEN - O TZADIK (JUSTO)

Na cidade de Modin, situada aos arredores de Lod, nas colinas ao leste de Israel, residia um certo Kohen (sacerdote), por nome de Matatiahu, da família dos hamoneus (Hashimonaim), levitas descendentes de Shimon, dinastia levítica que exercia uma função tanto religiosa, quanto política, em conseqüência da ausência da figura real desde a queda de Jerusalém. Tal família representava para a maioria dos judeus piedosos uma espécie de situação intermediária entre a queda do ultimo descendente de David, o rei Zedequias, e o Mashiach (Messias), descendente de David que haveria de tomar novamente o controle dos filhos de Israel. No entanto, mesmo dentre os hamoneus, muitos já haviam se corrompido pelo helenismo. Contudo, o velho Matatiahu  continuava a seguir integralmente o preceito de seus pais.
Certa vez, um oficial do Império, que verificava o sacrifício a Zeus, quis obrigar o velho levita a sacrificar primeiro do que todos os outros, afirmando que assim ele se tornaria amigo do Rei. O hasmoneu, que se quer se permitia fingir comer carne de porco, além de se recusar a faze-lo, se laçou sobre um israelita que se aproximava para efetuar tal atrocidade matando-o juntamente com o oficial, na frente de todos. Naquele momento lançou seu famoso brado, relatado no livro dos macabeus. “ Ainda que todas as nações que se encontram na esfera do domínio do rei, lhe obedeçam, desertando cada qual a religião de seus pais e aderindo as ordens do rei, eu, meus filhos e meus parentes, seguiremos o pacto de nossos pais! D-us me livre de abandonar a Lei e as instruções. Não daremos ouvidos as ordens do rei, desviando-nos de nossa religião, nem para direita nem para esquerda!” ( I Mc. 2:19-22). O livro dos Macabeus compara este gesto de Matatiahu ao de Finéias, quando matou o israelita que se prostituía com uma midianita. Pos ter matado o oficial e o israelita, destruindo, em seguida a ara do altar, levantou sua voz a todos e disse: “ Todo aquele que tiver zelo pela lei e quiser manter firme o pacto, Sai daqui a meu exemplo” (Vs. 27).
Matatiahu e seus cinco filhos: Yohanan, Shimeon, Yehudah, Eleazar e Yehonatan, fugiram para as montanhas de Gofnah, ao leste de Modin e ao norte de Jerusalém. Lá se juntaram a outros tantos judeus e iniciaram uma grande revolta que pretendia recuperar o domínio judaico da região, perdido para o rei Antíoco. Os hamoneus lutaram ardorosamente afim de conquistar seu nobre objetivo. Em 165 a.ec, Matatiahu, antes de morrer designa seu filho Yehudah, para dar continuidade a revolta, que culminaria na reconquista de Jeruslém e na rededicação do Templo.

YEHUDAH MACABI – O AMITZ LEV (CORAÇÃO VALENTE)

Yehudah, sucessor de seu pai Matatiahu, fica conhecido como Yehudah Macabi, apelido que ganhou, baseado no acróstico “ Mi Camocha BeElim Adonay” – “Quem é como Tu, entre os deuses oh Senhor”. Este era o lema que ele usava para estimular seus correligionários a continuar lutando e sacrificando suas vidas em nome do Eterno. O ato de sacrificar a vida em nome do Eterno é conhecido como Kedushat HaShem – Santificação ao Nome do Senhor. Yehudah foi considerado um grande general e astuto estrategista de guerrilha. A história judaica menciona que as batalhas eram curtas e rápidas, já que os soldados, em sua maioria lavradores, tinham pressa em voltar para suas casas e cultivar suas terras. Ele formava emboscadas aos soldados seleucidas em lugares de difícil locomoção e que só eles conheciam tão bem. Os habitantes das aldeias ajudavam os “rebeldes” com informações que os permitiam pegar o inimigo desprevenido.
"Entretanto Judas, também chamado Macabeu, e os seus companheiros, iam introduzindo-se às ocultas nas aldeias. Chamando a si os coirmãos de raça e recrutando os que haviam perseverado firmes no judaísmo, chegaram a reunir cerca de seis mil pessoas (...) Transformada a sua gente em grupo organizado, o Macabeu começou a tornar-se irresistível para os gentios, tendo-se mudado em misericórdia a cólera do Senhor. Chegando de improviso às cidades e aldeias, ateava-lhes fogo; e, apoderando-se dos pontos estratégicos, punha em fuga a não poucos de entre os inimigos. Para tais incursões, escolhia de preferência a noite como cola boradora. De resto, a fama de sua valentia propagava-se por toda parte". (II Mc. 8:1-5:7)
É preciso considerarmos, porém, que o reino selêucida tem forças mais do que suficientes para massacrar a rebelião judaica. Acontece, contudo, de estar Antíoco IV ocupado com vários problemas que explodem por toda a parte em seus territórios. Não pode, por isso, ocupar-se, para valer, com os judeus. Para sorte dos Macabeus e dos assideus, os judeus fiéis que os acompanham na luta anti-helênica. As primeiras tropas selêucidas mandadas contra Judas são comandadas por Apolônio, governador da Samaria, provavelmente o misarca que saqueara Jerusalém no começo de 167 a.ec. Este pequeno exército, composto de gregos e de samaritanos é facilmente vencido por Judas (IMc 3:10-12).
Forças maiores vêm com o general Seron, comandante do exército da Síria, mas são igualmente vencidas em Bet-Horon (IMc 3:13-26). Em seguida, são vencidas as forças dos generais Nicanor e Górgias, até que Lísias, o encarregado da pacificação judaica pelo rei Antíoco IV , vem pessoalmente combater Judas. Contudo, nem mesmo Lísias consegue vencê-lo e uma trégua é estabelecida entre as duas forças (IMc 3:38-4,35).
C. Saulnier comenta que "esta vitória, aparentemente fácil, de Yehudah Macabi explica-se pelos problemas que enfrentava neste momento o governo selêucida. Com efeito, Antíoco IV partira no princípio do ano 165 a.ec. para uma campanha nas satrapias superiores (isto é, na alta Ásia), deixando Lísias em Antioquia para assegurar o governo e a guarda de seu jovem filho”. Talvez por isso O livro de Daniel mencione que ele seria vencido, sem a intervenção de mãos humanas.
É então que, livre de represálias selêucidas, Judas e os seus tomam Jerusalém, purificam e dedicam novamente o Templo. É dezembro de 165 a.ec., exatamente três anos e dez dias após a profanação do santuário. Para comemorar o fato é instituída a festa de Chanukah, isto é, "Dedicação", celebrada no dia 25 de Kislev , data em que se iniciou a restauração do serviço do santuário de D-us.

A RESTAURAÇÃO DO TEMPLO

Antíoco Epifanio, de nefasta memória, morre durante o confronto com os macabeus, que conseguem retomar o controle do templo e restaurar a adoração ao Todo-Poderoso. Ao chegarem diante do templo, emocionados e munidos de um ímpeto feroz pela restauração de sua fé, os sacerdotes que faziam parte da revolta, trataram de imediatamente dar início ao processo de restabelecimento do rito sacrificial que, porém, deveria ser precedido por uma série de medidas preliminares e rituais de purificação dos próprios sacerdotes. Inicialmente ele precisavam acender a Menorah (Candelabro de sete braços que estava contido do interior do Templo). Após recuperá-la das mãos do exercito seleucida intentaram acendê-la. Para tanto, precisavam recorrer a uma espécie de óleo especialmente preparado para a ocasião, o que levaria no mínimo sete dias. Ao procurarem, encontraram apenas um pequeno frasco de óleo que ainda não havia sido profanado e que continha o lacre do selo sacerdotal. Um pequeno frasco perdido no meio dos escombros de um templo profanado, e remanescente de uma essência que insistia em permanecer escondida no intimo de um  santuário, que sempre representou a alma de um povo santo e intimamente ligado ao amor ao seu criador.
Os sacrificios individuais já haviam se iniciado, cada judeu já trazia ao Senhor os seus tributos, mas oficialmente o ritual sacrificial regular, que deveria ocorrer todas a tardes e manhãs, não poderia ser iniciado sem que todas as prescrições determinadas pela Torah fossem primeiramente observadas. Sem se preocupar com o que poderia acontecer e no ímpeto de poder de novo poder exercer o santo ofício de sua herança, os sacerdotes abasteceram a menorah do óleo que detinham em mãos e partiram para preparar um novo azeite. Os corações de todo o Israel se alegraram em poder ver de novo a luz da Menorah a iluminar o interior do Beit HaMikdash e trazer a sua memória a luz da Torah que sempre os protegeu. No outro dia pela manhã, porém, quando os sacerdotes entraram no interior da casa do Eterno, perceberam que a mesma luz, continuava a arder como se houvesse acabado de ser acesa, inicialmente ficaram espantados e logo a circunstancias se mostraram a ponto de se poder confirmar que, na realidade se tratara de um milagre. O mesmo espantoso evento se prolongou pelo restante dos sete dias em que os sacerdotes trabalhavam para produzir um novo óleo para abastecer a menorah. O evento marcaria para sempre a história do povo de Israel e seria lembrado por todo o restante de suas gerações, como o dia em que D-us mostrou a seu povo que é a Ele e não a nós a quem pertence o poder de fazer perpetuar a sua glória e consolidação de seus decretos e eternas promessas. O ritual de restauração ainda se prolongaria por cerca de um mês e meio até que o Templo se encontrasse, novamente, em perfeitas condições de exercer seu verdadeiro papel, ser o retrato espiritual da alma de cada israelita.

AS 2300 TARDES E MANHÃS E O SANTUÁRIO

Já vimos anteriormente, que todas as coisas aqui relatadas pela história, haviam sido, duzentos e cinqüenta anos antes, previstas pelo profeta Daniel, segundo a revelação do Eterno a ele. No entanto vale aqui uma especificação concernente, precisamente, as 2300 tardes e manhãs mencionadas por ele nos versículos 12 a 14 de seu oitavo capítulo, quando este relata: ” E o exercito dos céus lhe foi entregue, juntamente com o sacrifício diário (Holah Tamid) , por acusa das transgressões; e lançou por terra a verdade e tudo quanto fez prosperou (…)”. Já vimos que este relato refere-se ao fato de Antioco Epifanio haver conseguido conquistar poder suficiente, aponto de até mesmo os sacerdotes, aqui representados pelo que o profeta chama de “Exército dos Céus”. Quando menciona que, inclusive, o sacrifício diário lhe foi entregue, refere-se ao fato do próprio sumo sacerdote, ter sido o principal aliado de Antioco e ter, não apenas permitido a consolidação de seu diabólico plano, como também lhe ajudado a fazê-lo. No entanto o texto continua: “ (…) E depois disto vi um santo que falava: `Até quando durará a visão deste sacrifício (Referindo-se aos sacrifícios oferecidos a Zeus, no interior do Templo) e da Profanação Assoladora, ao qual é entregue o santuário e seu exercito, afim de serem humilhados?` Ele disse: `Até, tarde e manhã, dois mil e trezentos e o santuário será purificado`” (Tradução baseada no texto original). Neste momento, Daniel parece ter uma visão dos que lamentavam por tal condição em que se encontrava o Templo do Senhor. Talvez alguns dos sacerdotes que, como o velho Matatiahu, lutavam pela restauração de sua alma, em como suplicava ao Eterno que ele pudesse, em tempo próximo, restaurar o serviço da Sua Casa. A estes santos cabia a indagação: “Até quando durará esta tenebrosa visão?” No entanto, a resposta lhes veio de imediato, trazendo consolo aos seus corações: “Até Tarde e Manhâ, dois mil e trezentos e o Santuário será, novamente, purificado para a adoração ao Eterno”. Ou seja, o santuário passaria por um período correspondente a 2300 sacrifícios e, posteriormente seria purificado. Sabemos que no período do Beit HaMikdash os sacrifícios eram oferecidos diariamente, pela manhã (Shacharit) e a tarde (Minchah) e, a noite eram queimados os restos da gordura e das vísseras dos animais sacrificados durante o dia. Este ultimo ritual era chamado de Arvit ou Mariv. Estes três serviços diários do Templo foram os que deram origem aos três serviços devocionais em nossas três orações diárias.  
Tendo em mãos o conhecimento de que os serviços que poderiam ser considerados sacrifícios eram dois, já que o terceiro, não era um sacrifício e sim um gesto que conclusão devocional diário, fica fácil concluir que o espaço de tempo correspondente a 2300 sacrifícios é equivale ao período de 1550 dias. Ou seja, o santuário de D-us ficaria em estado de impureza ritual por este mesmo período e então seria restaurado.

Vamos Recapitular:

O primeiro sacrifício a Zeus no interior do santuário, no altardo sacrifício, aconteceu em que data?

De acordo como primeiro livro dos Macabeus “No décimo quinto dia do mês de Kislev do ano de cento e quarenta e cinco – Ano Seleucida (8 de dezembro de 168 a.ec), o rei fez construir, sobre o altar dos holocaustos, a Abominação da desolação. Também nas outras cidades de Judá erigiram-se altares e às portas das casas e sobre as praças queimava-se incenso. Quanto aos livros da Lei, os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Onde quer se encontrasse em casa de alguém um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei, o decreto real o condenava à morte (...) Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel”. (...) “E no dia vinte e cinco de cada mês ofereciam sacrifícios na ara que estava sobre o atar”
Logo, podemos concuir que dez dias após a instituição da “Abominação Desoladora” (Estátua de Zeus no interior do Santuário), iniciou-se o primeiro sacrifício, ou seja, dia vinte e cinco do mês de Kislev, 18 de dezembro de 168 a.ec.

Por quanto tempo o sacrifício a Zeus permaneceu sendo oferecido até a restauração do Templo?

Ainda de acordo com Macabeus; “No dia vinte e cinco do nono mês - chamado Kislev - do ano centro e quarenta e oito – Ano Seleucida (165 a.ec), eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (...) E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Kislev, com júbilo e alegria”.
Levando em conta que o primeiro sacrifício ocorreu no mesmo dia vinte e cinco de três anos antes, conclui-se que o sacrifício a Zeus permaneceu sendo oferecido por exatos três anos. De 25 de Kislev de 3593 a 25 de Kislev de 3596 – Calendário Judaico.
Deste modo, podemos concluir, que o período de 2300 sacrifícios, mencionado por Daniel, corresponde ao período de profanação do templo, já que só os sacrifícios a Zeus duraram, aproximadamente, 1100 dias, sem contar o período de proibição a qualquer manifestação da religião judaica; a instituição do ídolo no interior do Templo, que antecederam a este período e, ainda, o período necessário para concluir os trabalhos de purificação ritual, após a reconquista judaica em 25 de Kislev, data em que, até o presente tempo, se comemora a festividade de Chanukah. 

A PURIFICAÇÃO DA ALMA

Junto com a restauração do Templo, a alma judaica de todo o povo passou a estar diretamente envolvida com um processo de comoção generalizada, que apontava para um desejo de retornar ao seu verdadeiro D-us. Dadas as circunstâncias, se fazia impossível a desconsideração a tudo quanto havia acontecido. O Eterno, em toda a sua força, se fizera mostrar ao seu povo, e o reconhecimento disto se fazia inevitável. Munidos agora de um ímpeto por honrar os decretos do Senhor, Yehudah Macabi e seus companheiros iniciaram a restauração do Santuário do Eterno, como se estivessem, e estavam, a recuperar os fragmentos suas próprias almas. Ao vencer o Exercito de Etíoco Epifânio, o exército dos filhos de Israel chegou ao alto do monte, onde puderam ver o que sobrara do Grande Templo de Zoro-Bavel. Seu altar se encontrava profanado pelo sangue de animais imundos, misturados ao sangue dos filhos de Israel que se recusaram a atender ao clamor do inimigo. Suas portas estavam incendiadas e seus aposentos destruídos. As plantas cresceram no interior de seu átrio, e quem o contemplava, ao era capaz de reconhecê-lo, diante de tamanha destruição.
Quanto os santos homens contemplaram tão nefasta cena, rasgaram suas vestes e elevaram grande clamor aos céus. Seus semblantes eram semelhantes ao de quem chora diante de um filho morto. No entanto o sentimento de vitória se mesclava ao terror pelo que contemplavam. Ao invés de perdurarem seu luto, se encheram de coragem e trataram de iniciar o processo de purificação que os traria novamente ao prazer de poder honrar o Eterno em toda a sua glória. Yehudah o grande valente de Israel, escolheu dentre os sacerdotes que ali se encontravam aqueles que tratariam da causa do Eterno. Escolheu homens que estivessem puros e que guardavam a aliança do Senhor. Quebraram a abominação que profanava o Templo de D-us e os cacos da estátua, juntamente com as pedras do altar que o honrava, levaram para um lugar impuro. Junto com cada pedra extraída do santo lugar se retirava também de dentro de cada um deles, um pouco da profanação que ainda restava em seu coração.
Quando o templo foi finalmente restaurado, as nações em derredor se iraram muito, em sua inveja, contra os filhos de Israel, mas agora, já muitos de um sentimento de profunda fé e devoção, o Eterno estava com eles em tudo e já agora ninguém os poderia deter o processo que os conduziu a um logo período de independência completa de seus opressores.  continua...

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