Congregação Israelita Beit Itabuna - BA: CHAG HA PESSACH (FESTA DA PÁSCOA) : POR QUE COMEMORAR?

CHAG HA PESSACH (FESTA DA PÁSCOA) : POR QUE COMEMORAR?





A HISTÓRIA DE UM REGRESSO

    A  cerca de 4000 anos atrás, D-us chama um homem, dentre tantos daquela geração para a partir dele extrair uma estirpe de homens, a imagem da justiça de sua lei. Avram, é instruído pelo mandado divino a se dirigir a uma terra desconhecida e distante, a qual até os dias de hoje, seria cobiçada por todas as demais nações da terra. Considerada pelos sábios como sendo o centro do mundo, Eretz Yisrael é para nós mais do que um ponto geográfico, é o centro espiritual de toda a vida judaica. O regresso para ela representa e definitivamente, rumo a raiz maior de nossa fé e a esperança do estabelecimento de um mundo de paz e harmonia, trazido pela chegada do Mashiach e o regresso da Shechináh( presença) do eterno a este planeta.

   

Nos dias de Mosheh Rabenu, de bendita memória, fomos conduzidos como uma noiva, levada ao centro de seu desejo, a fim de alcançar o anseio maior de seu coração. Levados ao longo de quarenta anos, fomos ao encontro de nosso destino. Repetindo os passos de nosso pai Avraham, seguimos rumo a uma terra que mana leite e mel. Poucos de nós restaram, dos que saíram de um mundo de escravidão. Acostumados as duras cargas, a liberdade parecia bem mais um fardo difícil de carregar, com a qual não estávamos acostumados. Um povo de dura cerviz, assim fomos chamados por nosso mestre  Moisés. Mas ao longo de nossa caminhada, sentíamos que nosso Criador e Pai nos preparava para sermos dignos de herdar o presente maior que nossa vida: O caminho de volta pra casa.

    Relembrar a saga de nossos pais significa mais do que cumprir uma mera tradição. Representa o anseio de ano após ano, nos fazermos lembrar de que sempre é tempo de voltar.  

                                                                          


PESSACH


     A Festa de Pessach, que foi a primeira que fomos ordenados a celebrar, comemora a libertação dos  Filhos de Israel da escravidão egípcia, (cerca de 1290 a.e.c). Esse acontecimento se constituiu como um dos fundamentos principais da tradição judaica, da criação espiritual e da civilização do nosso povo. Ele é mencionado inúmeras vezes nas Escrituras sagradas, muitos mandamentos estão vinculados a ele, a maior parte das Festas Judaicas dele originaram e é referido nas orações com as palavras “lembrança da saída do Egito” e acha expressão nos cantos e nas poesias de muitas gerações. Qual o segredo da grande importância deste maravilhoso evento?

    Os nossos antepassados desceram ao Egito como uma família pequena, lá foram escravizadas e submetidas a trabalhos pesados, sob a pressão de guardas implacáveis. Quando já estavam á beira da destruição total, o Eterno os socorreu, foram salvos da escravidão e levados para a liberdade e para o caminho da Terra Prometida. Logo em segunda, quando receberam a Tora, no Monte Sinai, a Liberdade física ganhou conteúdo espiritual e o destino eterno do judaísmo. Este acontecimento teve grande significado na historia da Humanidade, também. A idéia da liberdade tomou forma concreta pela primeira vez, e desde então serviu como símbolo de todo povo independente.

NAÇÃO LIVRE


     O Êxodo do Egito transformou aquela família, que no entretempo havia crescido muito em uma endurecida e livre. Celebramos o nascimento e a formação da nossa nação, nas noites de Seider (preparativos) da festa de Pessach, com grande solenidade e pompa. O anseio pela liberdade nunca deixou de palpitar nos corações do povo de Israel, anseio este que passou de geração para geração e que atuou como uma motivação espiritual tão forte, que nenhuma opressão ou conquista conseguiu vencê-la.

     O nome de Chag há-Pessach é o mais usado e popular de todos os outros nomes- Chag há-Matzot( festa dos Ázimos), Festa da Liberdade |(Herut), Festas da Primavera(Aviv)_ desta Festa e deriva da décima praga, a da morte dos primogênitos, quando o Anjo da Morte saltou  por sobre as casas dos Filhos de Israel ( Pessach = salto).

    A Festa de Pessach começa no dia 15 de Nissan ( neste ano cairá no pôr-do-sol do dia 02 de Abril) e se prolonga por oito dias. Os primeiros e últimos dias são de plena Festa. Segundo a tradição, os nossos antepassados saíram no primeiro dia, e no sétimo dia entrarem no mar Vermelho e o atravessaram em terra firme e seca e cantaram a Shirá( canção de louvor). Os quatro dias intermediários também têm caráter festivo essem chamam Chol Hamoêd. Nestes dias costuma-se fazer somente os trabalhos necessários.

Os preparativos


     Os preparativos começam muito antes da Festa. Limpam-se as casas, para que não permaneça nenhum Chamêts (alimento fermentado proibidos em Pessach) conforme está escrito: “não seja visto nenhum Chamêts em todo teu domínio”.

    O conceito de Chamêts tem também significado simbólico moral e filosófico. O fermento (Chamêts) simboliza defeitos pessoais, altivez e orgulho. Toda pessoa tem a obrigação de fazer um exame de consciência de seus atos e comportamentos e erradicar da sua alma as más qualidades - o “fermento” que dentro de si - até que não sobre nem um pouco.

    Na noite anterior ao dia 14 de Nissan faz-se a busca de Chamêts, em todas as dependências da casa para que seja eliminada. 

PÃO DA POBREZA


     A Matsá simboliza o “pão da pobreza“ que os nossos antepassados comeram na escravidão, no Egito, bem como lembra a pressa com que lá saíram, na hora da libertação, quando não deu tempo para a massa fermentar. A Matsá é feita só de farinha e água, e o processo precisa ser muito rápido.


O SEIDER


     O Seider representa o ponto alto da Festa de Pessach. A família, amigos e convidados estão em torno da mesa, e reina uma atmosfera solene elevada e agradável. O chefe do Seider preside á mesa sentado numa poltrona confortável, á maneira antiga de homens livres. O Seider é conduzidos por símbolos tradicionais que constam da Hagadá(Narrativa) de Pessach, que constituem os pontos principais do programa da noite, que se desenvolve em torno de dois preceitos principais: o relato do êxodo do Egito e o comer da matsá. Os muitos costumes que enriquecem o ritual têm por finalidade criar uma conscientização entre os participantes como se tivessem, eles mesmos, saído do Egito, como estivessem passando pela experiência da libertação. E o povo judeu continua rezando três vezes por “que os nossos olhos vejam Teu retorno a Tsion”. Somente um povo que educa seus filhos desta maneira conseguirá manter esta esperança até a concretização de seus sonhos.

    Todos os costumes, mesmo os menos pertinentes, têm por finalidade despertar o interesse e provocar os “por que”.


O “RELATO”


     A Hagadá fornece as respostas ás perguntas dos filhos sobre o caráter e conteúdo da Festa. A palavra “hagadá”(relato) vem das palavras da Torá “ Vehigadetá...”( e relatarás ao teu filho...). A parte principal do texto da Hagadá é muito antiga, e se formou durante varias gerações. Cada geração e comunidade acrescentou sua contribuição. A Hagadá consiste de trechos da Bíblia, do midrash( Talmud) e de poesia, e passa em revista toda a temática de Pessach, desde a época dos Patriarcas até ao recebimento da Torá, no monte Sinai. Ela se tornou um dos livros mais queridos e  mais populares. Desde o nascimento da arte gráfica, aparecem mais de 2250 edições, em diversas línguas, foram escritos muitos comentários e publicados muitas edições artísticas. A primeira Hagadá foi impressa em 1482, na Espanha.

    Tomamos quatro copos de vinhos durante a leitura da Hagadá, que aludem aos múltiplos objetivos da libertação de Israel, e4 lembram as quatro expressões da libertação, usadas na Tora, no capitulo do êxodo do Egito. Pelo final do Seider enche-se um quinto cálice, que se chama popularmente de “copo do Profeta Elias”, o qual não se toma. A origem desta expressão está no Talmud, onde há uma discussão sobre se devem tomar quatro ou cinco copos. Como não se chegou a uma conclusão definitiva, e segundo nossa Tradição todas as duvidas serão resolvidas pelo Profeta Elias, por ocasião da vinda do Messias, este quinto cálice tem seu nome.

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    Fontes: Sidur Sêfer; 
      Hagadah de Pessach - Congregação Isaelita da Nova Aliança.

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