Congregação Israelita Beit Itabuna - BA: Vaiakhel, Pekudei

Vaiakhel, Pekudei

Vaiakhel, Pekudei, vamos trabalhar e aprender juntos...

Agora que estamos finalizando o livro de Shemot, com duas porções JUNTAS, é propício meditarmos no fato de que podemos e devemos trabalhar JUNTOS. Essa é uma lição que nos ensinaram dois grandes mestres dos tempos de Moshê Rabeinu: Aoliabe e Bezalel.
A Torah declara: “Porque Moisés chamara a Bezalel, e a Aoliabe, e a todo homem sábio de coração em cujo coração o SENHOR tinha dado sabedoria, isto é, a todo aquele a quem o seu coração movera que se chegasse à obra para fazê-la.” (Êx 36:2) Esses dois homens eram mestres, artistas, trabalhavam com vários tipos de materiais diferentes e tinham um grande dom. Junto com eles, vários outros homens sábios trabalhavam na construção e montagem do Mishkan.
Mesmo quando se tem mais “talento e capacidade” do que os outros, como era o caso desses dois homens, o sábio é aquele que consegue compartilhar as atividades, dividir as responsabilidades, embora tenha ciência de que a maior responsabilidade é dele.
Aoliabe e Bezalel eram os responsáveis, mas a diferença deles para muitos hoje é que: “Também lhe tem disposto o coração para ensinar a outros, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã.” (Êx 35:34)
Compartilhar de seu conhecimento, sabedoria com pessoas de menos capacidade (ou que não tiveram a oportunidade certa) é um privilégio. Ver a evolução das pessoas, a alegria delas em aprender é algo valioso e de forma alguma diminui o “status do profissional” que o ensina.
Há alguns anos atrás fiz parte de um projeto voluntário (que ainda existe) chamado CDI - Comitê para Democratização da Informática - em que fiz um curso para aprender a dar aulas para comunidades carentes. Foi pouco tempo, mas uma experiência fantástica e enriquecedora. Dei aulas para jovens órfãos, que viviam numa instituição que os abrigava. A alegria deles diante de um computador, aprendendo a digitar as primeiras palavras, lições de cidadania, fazia com que eles percebessem que eram respeitados, e que o "professor" não estava ali para os humilhar, mas para compartilhar de experiências e conhecimento. Todos deveriam gastar um pouco de tempo para ensinar os outros, sem se vangloriar, apenas pelo prazer de ser Aoliabe e Bezalel, que tinham o coração disposto para ensinar os outros.
Há muitas coisas para se fazer, você que toca instrumentos pode ensinar musica, você que canta, pode ensinar a cantar, montar um coral (ainda que todos sejam desafinados) e dar oportunidade aos outros, você que trabalha com computador, pode ensinar noções básicas, internet, enfim... sempre há pessoas que podem aprender, desde que você esteja com o coração de Aoliabe batendo no peito. 

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